Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

O Blogue da Mafalda

Somos todos normais, até termos filhos! | Por Ana Fagundes Lourenço

O Blogue da Mafalda

Somos todos normais, até termos filhos! | Por Ana Fagundes Lourenço

Qua | 29.03.17

Hora da sopa, youtube e publicidade

Ana Lourenço

Quando se trata de alimentar a minha filha, recorro ao Youtube. Shame on me, mas isto de dar comida a uma bebé é mais difícil do que esperava e, por isso mesmo, conto com canções infantis.

Penso que todos os pais concordam comigo quando digo que vale tudo para eles comerem meia dúzia de colheres de sopa. Assim sendo, acho que é legítimo usar o youtube. O que não se compreende é a porcaria da publicidade nas músicas infantis. Está uma pessoa a enfiar creme de cenoura pela boca abaixo da miúda quando aparece o anúncio da mãe dedicada que faz uma tarte de maçã para a filha que chega a casa muito triste porque perdeu uma fita do cabelo ou uma treta qualquer. Em primeiro lugar, isso é publicidade enganosa. Da maneira que as coisas estão, a criança que se atrever a perder alguma coisa - nem que seja uma caloria - leva a tareia da sua vida assim que chegar a casa. Em segundo lugar, é extremamente frustrante quando estamos a contar com "o amigo descolorido" ou "o bicho maluco" - não me chateiem que a Xana Toc Toc é muito melhor que a bimba da Sara - e levamos com a dita tarte, ou um seguro de saúde. Lá se vai a estratégia, senhores. Espero os 5 segundos, ignoro o anúncio e quando volto à sopa tenho à espera uma rapariga determinada a dificultar-me a vida.

Querido youtube, eu até compreendo que a publicidade seja necessária, que são as toalhitas com água micelar que sustentam essa gente toda que trabalha aí. Mas peço-te que entendas que quem recorre à Xana Toc Toc ou aos Caricas não está propriamente a pensar em compras, portanto pára lá com esses anúncios!

Sex | 17.03.17

Deixei de ser uma mãe com pressa

Ana Lourenço

Li um artigo que defende que não há crianças difíceis, mas sim crianças com grandes dificuldades em viver num mundo de adultos com pressa. 

Quem nunca andou numa correria desenfreada de manhã até à noite? Eu já.

 

Cheguei a entrar em desespero por ter de mudar de roupa à miúda...duas vezes! Sim, vestia-a, sentava-a na cadeirinha e a Mafalda bolçava. Espectáculo! Principalmente quando estamos em cima da hora e temos imenso trabalho à nossa espera.

 

Eu era uma mãe com pressa. Até ao dia.

 

Numa daquelas manhãs de correria, magoei a minha filha enquanto a vestia. Não, não foi nada de grave, mas magoei-a. Ela chorou. E eu chorei com ela no meu colo. Amaldiçoei o trabalho que tanto me consome, mas acima de tudo culpei-me por andar tão ligada a uma ocupação profissional. Sim, é o que me paga o ordenado, mas NUNCA será mais importante do que a minha filha. Nunca.

 

Nesse dia, depois de horas a culpar-me por ter magoado a minha bebé, tomei uma decisão: Deixar de ser uma mãe com pressa.

 

A questão é simples: Como posso pedir à ama da minha filha para ter calma e paciência, se eu não tenho? E não me venham com o argumento do dinheiro, porque ninguém tem mais obrigações para com a Mafalda do que eu e o meu marido.

 

A verdade é que desde que tomei essa decisão as coisas mudaram consideravelmente: Todas as manhãs dou-lhe o biberão à mesma hora e depois sento-a na cadeirinha para me fazer companhia enquanto tomo o pequeno almoço. Se o pai está em casa, ficam os dois a ver tv na cama enquanto como. Depois lavamos os dentes e...Hora de vestir! Tiro uns minutinhos para brincarmos, pois não quero apressá-la e aquela gargalhada faz-me ganhar o dia. Depois de vestir e pentear a Mafalda, elevo-a e faço questão de lhe dizer que está linda, que é linda. E ela, mesmo sem entender, retribui com aquele sorriso doce.

 

É hora de verificar se não falta nada no saco: Comida, fraldas, toalhitas, babete extra, chuchas, creme para a cara, spray para a muda da fralda e gel para as gengivas.

 

"Está tudo. Só falta juízo nessa cabecinha", digo-lhe.

 

Pego no saco dela, no coelho Alfredo ou na Chica Bandida (depende do dia), na bebé e na minha mala. Vamos as duas no carro, sem música. Aproveito para conversar com ela - ok, eu sei que isso é subjectivo.

 

Entrego a Mafalda à ama. Transmito todas as informações pertinentes: Se bebeu o leite todo (influencia a hora da refeição seguinte), se dormiu bem, etc e vou à minha vida. Calma, em paz e pronta para trabalhar.

 

Se a coisa corre bem, chego ao trabalho um pouco antes da hora. Se não corre tão bem, posso chegar 5/10 minutos atrasada. Ora, tendo em conta que nunca saio à minha hora, penso que um atraso de 5 ou 10 minutos não é motivo para grande alarido. E se estou bem disposta, produzo muito mais

 

Terminada a jornada, volto ao meu papel de mãe. Tento adiantar algumas coisas em casa para me dedicar mais à Mafalda quando a for buscar à ama. Levo-a aos cães - lamento, mas não sou uma mãe chique e deixo a minha filha contactar directamente com os nossos cães - e depois limpo as toneladas de baba. Adormeço-a e ficamos encostadas durante uns minutos. Come, fica na cadeirinha enquanto jantamos e depois...Hora do banho! (Se está bom tempo, aproveito para passearmos).

Foto.jpg

 

A Mafalda é uma bebé, e como tal gosta de brincar na água. Tem vezes em que o banho é pacífico, tem outras em que fico com o quarto inundado. No segundo cenário, tenho duas reacções possíveis: Passar-me da cabeça e estragar o trabalho do dia, contar até vinte e continuar o banho de forma pacífica. 

 

Depois biberão e cama. Aquele momento é nosso e dura o tempo que for necessário. Embalo-a, mimo-a e fico quase uma hora com ela no colo antes de a colocar no berço. Gosto de a ter junto a mim, de cheirá-la e aconchegá-la.

 

Não vou dizer que tudo é perfeito. Tem dias em que conto várias vezes até 10, em que os gritos da Mafalda (grita quando está feliz, quando se irrita, quando vê a Sara ou os Caricas...) me deixam à beira da surdez e em que vou para a cama com uma dor de cabeça descomunal. Mas vou em paz, sem pressa. E com a certeza de que estou a fazer todos os possíveis para criar/educar uma menina que não viverá numa correria.